Meus devaneios

Mardi 12 septembre 2006

Nem menina, nem mulher. Alguns falam que sou fada, outras um mero ser. Dizem que sou fera, ou ferida. “Decidida, sabe o que quer” – uns afirmam daqui, “covarde e impulsiva” – outros confirmam colá. 

Sou o vento e a ventania, sou lagrima e o riso, sou artista de circo, repentista do sertao. Sou a incognita indecifravel, assim como vc, meu caro leitor, eh um variavel de uma equacao matematica. Para uns sou Kelly, para outros Stein. Cidada brasileria, sexo feminino. 

Mas a pergunta eh insistente. Quem eh vc? Quem sou eu?? Isso depende de quem voce é...

Se és microbio ... Kelly Cross, pastel!

Se és sargento ... Meu nome eh Ninguem Sabe (assim como Odisseu jah fizera)

Se és amigo     ... Kelly Kelly

Se és repentista ... galega, a seu dispô sinhô

Se és  ex ADI ... professorinha

Se és crianca ... oiiieeeeeee ^^

Se és fera ... tambem mordo

Se és jornalista ... Kelly Stein

Se és fada ... fada do sul 

Se és meu amor ... Ne me quitte pas

E assim vai. Esta lista caminha em busca do horizonte. E uma lista extensa uma vez que cada rosto, cada sorriso, cada escarrada tem seu peso em minha memoria. Cada um é publico, ator coadjuvante e principal na minha odisseia.

Nao tenho verdades absolutas, porem aspiracoes. As certezas de hoje sao duvidas do amanha. As convicçoes e ideias que guiam meus passos de criança se adaptou-se a realidade que anos impuseram, mas continuam fortes e sustentados pela esperanca. 

Mesmo com tudo isso, nao posso negar que sou aprendiz do mundo. Jornalista por impulso, menina (pois ainda me permito). Descobridora do que é novo e do que é velho. O futuro é um mar  de possibilidades; e o passado, um bom professor. Sou menina, sou mulher, a fera ferida que a fada conforta. Sou microbia com aspiracoes a fotografa. Sou sargento e crianca ao mesmo tempo. Tudo isso em apenas um acorde. Enfim, apaixonada pela vida.

Par Kelly Stein
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Mardi 12 septembre 2006

Escrever eh mais que organizacao de ideias atraves de simbolos graficos. O ato de escrever liberta a alma e faz com que ela se sinta livre para viajar para horizontes jamais visitados. Escrevo por prazer, por distracao e por obrigacao em dar liberdade ao espirito.  

 

 

Apresento, portanto, alguns de meus rascunhos. Espero que, ao menos, eles os entretam.

 

 

 

 A morte

 Este naum eh um diario, naum eh uma mensagem nem mesmo um recado indireto a ninguem. Trata-se de palavras soltas, muitas vezes sem coerencia, nem conexao. As escrevo pq elas pedem liberdade... 

 ...por motivos ainda escusos a morte me vem a cabeca. Estive pensando e refletindo sobre tudo o que engloba a tal da morte, o tal do ponto final, e naum obtive nenhum progresso.

Os efeitos da morte do pai de um amigo se fizeram tao fortes e impiedosos, que sua dor chegou a minha janela e pediu socorro. Pasma. Incontrolavelmente parada e sem reacao. Desculpe Daniel, naum posso estar com vc, mas mes o se pudesse, acredito que estaria da mesma forma: com maos e pes atados pela justica ou injustica do acaso.

Sei que as duvidas que envolvem a escuridao da morte se multiplicam cada vez que a dor aumenta. A revolta, o choro, a lagrima sao consequencias inerentes ao sentimento de vazio e incompetencia.

Olho para o horizonte em busca de qualquer sinal que possa fazer de tudo isso um grande esquema que faz sentido. Porem, acredito que o misterio eh que faz a diferenca. Somos pobres mortais a merce de uma coisa maior. Somos o grao de areia no meio do Saara. A unica coisa que a morte nos tem ensinado muito bem eh o quanto somos insiginficantes.

 As presuncoes, o orgulho, as mesquinharinhas sao desencessarios para o fim que terao. Entao, qual a razao disso?

Eu naum sei tb... sou mais um perguntador que gosta de complicar o que eh simples: a vida.

 

 

Par Kelly Stein
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Mercredi 13 septembre 2006

A frieza do silencio total me acorrentava. Ao mesmo tempo que a beleza de cada floco encantava, trazia consigo uma poesia triste e embriagante...

 

... mas agora a vida se faz plena em cada botao de flor que se abre. E minhas asas naum querem outra coisa... soh querem voar!!!

Par Kelly Stein
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Mercredi 20 septembre 2006

Tenho uma missao.
Tenho compromisso com o riso, com o sonho; com o samba de roda, o maracatu.
O mundo regido em uma orquestra sem maestro; regida pelos crueis acordes das engranagens do sistema. Engrenagens estas, que nao temem a rima, apenas a ignora.
As palavras de poetas viram poeira enquanto o ritmo frenetico apenas nos rouba a palma. a calma, a alma.
Sim... tenho uma missao... sigo semeando sonhos no mundo real!!!

Par Kelly Stein
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Vendredi 22 septembre 2006

O embalo da guitarra te traz boas novas, o violao companheiro faz um fundo familiar. O som do mar e a majestade da lua se apresentam em uma beleza embriagante. A areia fria mostra-lhe o dom da vida e as ondas continuam em um interminavel vai e vem. Nunca se sabe se vai ou se vem, a unica certeza eh que nunca desiste. Muitos poetas acreditam que as aguas sao mensageiras de terras desconhecidas, o horizonte comporta esta ilusao e o vento no rosto nos convida. Um sorriso timido aparece no canto esquerdo da sua boca e vc se sente pleno. O silencio, ah este silencio! O melhor conselheiro, principalmente quando se estah lah perto de Poseidon. As fadas sao mais soltas e alegres, os animais ignoram sua presenca e fazem seu show particular. Nao falo de grandes baleias, tubaroes ou gaivotas. Falo dos pequeninos, dos minuciosos, daqueles que parecem imperceptiveis a visao e a existencia de tudo que existe.

 

Autores notaveis, livros, colecoes de poemas, saraus e muitos coracoes despedacados se dedicaram as palavras em uma tentativa infantil de descrever as fases do tao falado amor. Destilam sua angustia sobre uma tal de liberdade e sobre as minucias de um tal de sonho. Com certeza todos foram mais competentes que eu. Muitos fizeram ateh dinheiro, mas nenhum serah capaz de estar aqui e sentir na pele os detalhes de algo inexplicavel. Nenhum eh capaz de descrever toda esta realidade, pq ela soh pertence a mim.

 

Sempre tive aspiracoes em ser uma escritora. Queria entender a alma humana e escrever sobre suas desgracas. Queria entender o riso do menino e, ao mesmo tempo, falar sobre a utopia do cacador de moinhos de ventos. Quero cantar a alegria, mas ainda lembrar que a tristeza existe e se faz necessaria.

Os mesmos olhos de menina, que sonhavam com os pes na areia, estao aqui. Talvez os mesmos medos e o anceio por uma vida de conto de fadas. Espero meu conto de fadas aqui, com os pehs na areia. Passado e presente se misturam em analises sem conclusoes. A preocupacao com um futuro que ainda nao se sabe se existe se faz presente.                                               

Este desembalo, desabafo, abalo, abafo e/ou afago eh para viajantes como eu. Complicado. Todos estao tao perdidos como eu. Somos pequenos herois perdidos em nossos proprios mundos. Temos mascaras, mas todas caem. E quando a fantasia se vai, o riso se esvai, a musica acaba; o que fazer? Carlos Drummond de Andrade indagara em uma certa ocasiao: E agora Jose? O vazio se faz presente e nao hah nada que se possa fazer contra. Sebastian lutou arduamente com seu grande inimigo: o vazio, em Historia sem fim; mas o que ele me diria hoje nesta sexta feira?

Par Kelly Stein
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