Mercredi 20 septembre 2006

Tenho uma missao.
Tenho compromisso com o riso, com o sonho; com o samba de roda, o maracatu.
O mundo regido em uma orquestra sem maestro; regida pelos crueis acordes das engranagens do sistema. Engrenagens estas, que nao temem a rima, apenas a ignora.
As palavras de poetas viram poeira enquanto o ritmo frenetico apenas nos rouba a palma. a calma, a alma.
Sim... tenho uma missao... sigo semeando sonhos no mundo real!!!

Par Kelly Stein - Publié dans : Meus devaneios
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Vendredi 15 septembre 2006

Canção do Exílio

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

 

Gonçalves Dias

 

 



Par Kelly Stein - Publié dans : Os mestres jah diziam...
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Jeudi 14 septembre 2006

A vida sempre haverá de ser uma escolha:
Ao se pretender um caminho,
outro terá de ser deixado.
Os rios seguem somente um curso e
desembocam, cada qual, em seu mar...

(autor desconhecido)

 

Par Kelly Stein - Publié dans : Os mestres jah diziam...
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Mercredi 13 septembre 2006

A frieza do silencio total me acorrentava. Ao mesmo tempo que a beleza de cada floco encantava, trazia consigo uma poesia triste e embriagante...

 

... mas agora a vida se faz plena em cada botao de flor que se abre. E minhas asas naum querem outra coisa... soh querem voar!!!

Par Kelly Stein - Publié dans : Meus devaneios
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Mercredi 13 septembre 2006

Dedico este espaco, fragmento, pedaco, parte mim a todos aqueles que libertaram palavras mais nobres que as minhas. Eis que os apresento meus mestres, meus parceiros de palavras, senhores do verso. Professores de um mundo novo, idealizadores do real. Eis que vos apresento o horizonte que persigo.

Os Três Mal-Amados

João Cabral de Melo Neto


Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.

"Os Três Mal-Amados", "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.
Par Kelly Stein - Publié dans : Os mestres jah diziam...
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