Mardi 7 novembre 2006
Bienvenue
Sexta-feira dia tres de novembro de 2006, sete horas da noite, Aeroporto Internacional Dulles – Washington DC. O encontro tinha data, hora e local marcado. Uma semana antes do encontro minhas preocupacoes se concentravam nos preparativos para a recepcao. Casa, roupas, limpeza, comida e transporte para os cinco membros da familia que estavam por chegar. Digamos que minhas paranoias para a perfeicao se acentuaram durante esta semana e o Julien, coitado, pagou por todas as consequencias.
 
Em devaneios bobos eu imaginava preparar tudo aquilo para minha familia. Imaginava como eu receberia minha maezinha. A cama que meu pedacinho de mim (Katia) dormiria e as historias que eu contaria para o meu pai – ai que saudade de nossas historias, pai! Diante disso tudo, os preparativos  tinham um peso um pouco maior. O Julien, que nao via os pais por um ano, revesava a anciedade de receber a familia com as respostas mal educadas depois das tarefas que eu lhe designava.
 
Quando o dia chegara, o inevitavel aconteceu! Minha atencao dispersa pelos horarios e ultimos detalhes nao permitiu que prestasse atencao no meu nervosismo e anciedade, que aumentava de forma sorrateira. Ultima checagem feita: Meu quarto perfeito, os carros a disposicao, o apartamento do Julien intacto! Kelly pronta para o primeiro encontro, para a primeira impressao. Batom na bolsa para possiveis retoques, cabelo alinhado, calca jeans e blusa de frio para proteger do frio que comeca a incomodar. As unicas palavras em frances que decorara estava na ponta da lingua “Bonjour” e “Je m’appelle Kelly” e a timidez escondida no sorriso de canto de boca. “Pronta para receber seus sogros?” pergunta Julien em tom de piada. O fim desta frase ouvida pelo fone do celular teve efeitos que deveriam ser estudados pela ciencia. Meu estomago que nao denunciava sua existencia foi inundado por um friozinho que arrepiou a pele. Foi exatamente no fim desta frase que realizei que o momento chegara. Foi neste momento que meus receios e preocupacoes em conhece-los se tornou consciente e estava fora de controle. De acordo com os planos tracados, deveriamos estar no aeroporto por volta das seis da tarde. Mas planos sao planos e determinacao de horarios existe para ser quebrada e, por fim, atrasados.
 
Sei da reacao da minha mae quando ela ler este pequeno trecho sobre atrasos. Digamos que eu tenha um pequeno probleminha para cumprir horarios e/ou chegar na hora certa. Nao faco isso porque gosto de deixar pessoas esperando. Confesso que me esforco para evitar, uma vez que isso comecara a comprometer minha vida social. Porem, todavia, contudo, portanto o destino sempre coloca pequenas arapucas no meu caminho. Desta vez, meu estomago agia contra minha boa vontade de estar no horario.
 
No primeiro momento achei que estava passando mal pelo fato de ter comido pouco durante o dia. O Julien, jah impaciente, me levara a um restaurante barato e comprou Pai Thai. O que ele nao sabia eh que enquanto ele fazia o pedido do prato, eu estava no banheiro chamando um velho amigo, companheiro de momentos primordiais da minha vida: o Hugo. Este sim eh um grande companheiro, antes de vestibular, de campeonatos (nao muito importantes) de natacao, antes das inumeras partidas de volei, antes da apresentacao do meu projeto experimental e muitas outras ocasioes, ele nunca falta.
 
Depois de alguns minutos meu estomago se acalmou e a tremedeira passou. Mao na direcao, peh na estrada. Proxima parada: Dulles Airport.
 
Aeroporto – A chuva nao deu tregua nem por um minuto. O transito da rodovia praticamente parado tambem nao ajudou e meu estomago ainda se fazia presente. Recordo-me muito bem das palavras da minha mae quando eu sentia a mesma coisa em vespera de provas finais na escola: “Respira fundo e tenta nao pensar nisso”. Eu tentei mae, juro que tentei! Pensei primeiro na chuva, depois fiquei fantasiando com as luzes de freio de todos os carros da rodovia. Era um cenario bonito, mas ainda nao favorecia a corrida contra o relogio. Pensei no jornalismo, pensei em saudade e em frio. Tambem pensei sobre a politica no Brasil, mas meu estomago ficou mais alterado ainda, parecia que protestava. Mudei o pensamento, portanto. Refleti sobre passado, presente e futuro, como sempre o faco. Lembrei de minha infancia e fiquei fantasiando com a visita da minha familia. Recordacoes e fantasias que se misturavam e me faziam bem. Tudo esta imerso no baleh de luzes da highway 495. O Julien, que me observava atento pelo retrovisor do carro a frente, me ligou e checou se eu estava bem.
 

Sete e quinze da noite. Quinze minutos atrasados e estomago revoltado! Felizmente quando chegamos no aeroporto, os tao afamados Mercier estavam pegando as malas na esteira. Ufa! A tempo!

Par Kelly Stein - Publié dans : Viva a Franca!
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Lundi 23 octobre 2006
 
Ao som de Caetano Veloso, empunhava a pena com vigor. De forma nervosa, sorria para o papel em branco. Embora pudesse ver a lua de seu quarto, nos ceus dos Yankees, Caetano insistia em cantar sua beleza. Depois de uma jornada de quinze horas resumidas em voos e longas viagens no carro, entregava-se ao silencio e aos pensamentos que insistiam permanecer, brigar, se embaralhar. Os pehs dormentes e o coracao alvoracado nao a ajudava a organizar em palavras, silabas, sentencas, tudo ateh entao vivido. Sabia que era a primeira noite de muitas outras.
 
O hotel imenso abrigava cerca de duzentas garotas, meninas-mulher, sonhadoras, aventureiras. Cada uma delas representando um pedacinho do mundo. Era tanta gente, que nem mesmo os organizadores se organizavam. Todos os sotaques, cores e roupas misturados, apertados, sistematizados. Nacionalidades representadas com orgulho atraves de pequenos gestos ou comentarios. Foi realmente magico, e ela, se maravilhava em seu mundo particular.
 
Todas ali tinham uma historia, uma vida, poemas nostalgicos. Deixaram um mundo de certezas em busca do desconhecido. Era facil reconhecer quem pisara pela primeira vez em terras estrangeiras. O brilho nos olhos e a vontade de ter tudo no mesmo dia era contagiante, lembrava a vivida e lubridiante vida de crianca. O desdem de outras que jah conheciam aquela realidade era ofuscado pela magia que as novatas colocam no ar.
 
Ela nao sabia se era espectadora, coadjuvante ou atriz principal. Sabia que ao mesmo tempo que tudo era intrigante, alucinante, fascinante, assustava e tinha um gostinho amargo da saudade. Saudade essa que nao era rainha, era apenas um empregado da realeza: a Alegria. Palavras e caminhos que se abriam com facilidade depois da frase magica “I’m from Brazil”. Parecia mesmo que o pais do mensalao encantava os gringos.
 
Companheiras de quarto - Dividia o quarto de hotel com mais duas aventureiras, ambas de nacionalidades diferentes: uma polonesa e a outra alema. Sempre que as fitava nao conseguira esconder a curiosidade, a vontade de saber. Quais seriam as historias que guardam os pares de olhos azuis? Quais sao os anseios? Devaneios? E receios?
 
Inumeras nacionalidades juntas por quatro dias. Este foi o tempo determinado pelo programa de orientacao. Foi intenso e cansativo, mas todas as companheiras de apenas um dia faziam valer a pena. Eram destinos que se cruzavam de forma curisosa e rapida. Caminhos que se entrelancavam de forma destinda e desmedida sem planos previos, nem recomendacoes. Era um territorio desconhecido, portanto sem leis.
 
No coracao, cabiam inumeros pensamentos contraditorios. A saudade comedida com o desejo de explorar e conhecer. Cada pessoa apresentava mundos tao distintos, que ironicamente, se reuniam embaixo do mesmo teto. Sao Marias-ninguem de diversos paises como Colombia, Equador, Costa Rica, Japao, Alemanha, Suecia, Polonia, Franca, Russia, Croacia, etc. Diversas nacionalidades, credos e ideias amontoados em busca do mesmo sonho... ou fuga.
Par Kelly Stein - Publié dans : Odisseia - capitulo EUA
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Vendredi 20 octobre 2006
"Os barcos estão seguros se permanecerem no porto, mas não foram feitos para isso."
                                                                                                                       
(Anonimo)
Par Kelly Stein - Publié dans : Os mestres jah diziam...
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Mercredi 18 octobre 2006
Embriagada pela forca e desventura da juventude, arrisquei-me com as rimas em uma certa ocasiao do passado. Foram poucos exemplares, porem os mantenho comigo ate os dias de hoje. Guardo-os em um tentativa de manter a menina de antes junto de mim. Sao versos que eu leio e releio e agora compartilho-o com os transeuntes da rede. Apresento-lhe a Kelly que descobrira o amor, a vida e o desejo de sentir hah sete anos.
 
Meu refem
O toque do nosso olhar
Faz todos conscientizar
A definicao do verbo amar.
Nos faz realizar coisas sem pensar
as quais, as vezses, nos arrependemos de realizar.
Mas com vc, meu bem
Nao hah nada que se tem
Do que doces palavras que se vem
Entao agora, lhe digo tudo que me vem
Falo um poquinho do amor que meu coracao tem
Traduzindo assim, meu bem
O que sempre me fez bem:
VOCE, que pode estar lah, aqui ou alem
Serah sempre meu refem.
Par Kelly Stein - Publié dans : Meus devaneios
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Mardi 17 octobre 2006

Era uma vez um palhaço
Que andava sempre chorando
Por causa da bailarina
Que namorava o trapezista

Nem de pierrot nem de arlequim
Ela não via graça nele
Que se trancava no camarim
Até o circo acordar

Dentro do globo da morte
Alguém arrisca a vida
Por um minuto de glória
Pra esquecer toda tristeza

O engolidor de espadas quer
Arrepiar todo cabelo
E a obediência dos animais
Faz a platéia dizer oohh!!

Um dia a mulher barbada
Que era gamada no domador
Chamou o mágico e disse faça:
Abracadabra pra virar amor

Mas nem sempre é possível ter
Um final feliz pra animar
E lá no meio do picadeiro
O show não pode parar

(Rita Lee)

Par Kelly Stein - Publié dans : Os mestres jah diziam...
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