Samedi 24 novembre 2007
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15:32
Pensei e pensei como eu deveria comecar esta carta. Serah que um formal “Querida Evelim” seria oportuno? Naaaaooo... seria formal demais para uma amiga. “E ae figura?!! Como estah?” talvez este seria informal demais para o assunto que se decorrerah. Portanto, vou me segurar em um simples abre de carta... Decidi que comecarah com um simples e direto: “Evelim”.
Evelim,
Recordo-me claramente do dia em nos encotramos pela primeira vez. Vc vestia preto, maquiagem impecavel e um sorriso contagiante. Tinha salto alto. Em uma mao uma garrafa de vinho tinto, na outra, muita vontade de dancar. Perguntei a uma amiga quem era aquela que descia a rua com o mundo ganho soh no brilho do olhar. Ascendendo o cigarro, esta amiga respondeu com certo descaso: “Eh uma loca que adora baladas assim como a gente”.AAAhhhh como lembro daquela noite, lembro-me muito bem.
O que transeuntes de sua vida, colegas de bebedeira e amigos de trabalho ignoram eh que tudo nao passa de uma forma de sobrevivencia. Agora sim, mas somente agora, eu compreendo. Seu discurso de noites perfeitas mascaravam o vazio. Esta vontade de viver imortaliza o sonho que agora, mesmo nao estando morto, estah enterrado. Sinto em minhas veias a dor que se tem quando se tenta pedir socorro, mas nao hah ninguem para ouvir. Agora sei que quando nao hah mais palavras, ela se materializam em lagrimas. Sim, soh agora eu entendo.
Entendo que mesmo diante do cenario descrito perfeito, existe o direito nao gritar ESTAH TUDO ERRADO! Mas como deve saber melhor do que eu, ninguem estah ali para te escutar.
Silencio, descaso, escuro, vazio. O olho no relogio te joga na cara a lentidao dos anos. Eh ainda o mesmo relogio que a remete ao passado, a sua patria, a sua historia e a faz se questionar: O que eu estou fazendo? Sim, este mesmo relogio te joga na razao e te estracalha com os fatos de um caminho sem volta. Eh o tic-tac dos ponteiros que te faz correr, mas agora, a direcao nao tem mais importancia. Vc jah foi vencida.
Nao te escrevo para lhe relembrar de suas desgracas, de sua dor. Debruco-me, tristemente, sobre este teclado para te contar destas terras longicuas que vc nao eh a unica. Mesmo sabendo da sua historia, te ignorei e teimei em seguir o mesmo curso que vc tomara. Peco perdao em ter te julgado e nao ter me esforcado para entender sua dor. Agora, pago minha penitencia. Sigo a estrada que hah tanto tempo percorres.